Uma das áreas mais impactadas durante a pandemia, o cenário da construção civil retoma à pauta da vez não apenas como uma promessa de aquecimento, mas com as máquinas trabalhando intensamente e sinalizando um importante cenário de investimento já neste semestre.
Condomínios fechados e conjuntos habitacionais chamam a atenção em todos os lados de todos os municípios. Construtoras exploram o potencial econômico de todas as classes e novas frentes de trabalho surgem no embalo desta nova realidade. Novos tempos, bons tempos.
Contudo, assim como vários campos de investimento pré pandêmicos, a construção civil volta repaginada, adaptada à novas realidades de trabalho, família e conforto. Sairá na frente quem se atentar a elas.
Diferente dos anos 80 e 90, quando a maioria da população buscava constituir família, filhos e bens, hoje o desprendimento e desapego dita várias tendências que, somados à praticidade e comodidade do home office trazido pela pandemia, sugerem às obras mais do que quartos e salas mas sim, funcionalidade.
Diferente de outros mercados, onde os mais velhos constroem para os mais jovens alugarem, hoje a construção é um desejo coletivo retomado, em partes, também pela redução em gastos durante a pandemia como, por exemplo, viagens e automóveis. Casas amplamente conectadas à internet e com ambientes que possibilitem viver e trabalhar são os principais objetivos de casais que hoje optam por um único filho ou, em muitos casos nenhum.
Condomínios com espaço pet friendly tornam-se cada vez mais procurados por aqueles que trocaram as fraldas pelas coleiras e, além do público na faixa dos 30 anos, aqueles acima de 60 começam a trocar as casas e apartamentos de maior porte por versões compactas já que diminuíram a importância do receber visitas pelo fazer as malas. Praticidade e novos comportamentos tornam-se, então, a palavra da vez.
Além dos muros e dos portões, conexão com espaços prestadores de serviço e tráfego fluídico são pontos observados na hora da escolha de um espaço para morar. Com o crescimento da importância das cidades dormitórios, rodovias e avenidas começam a nascer ou ser repaginadas, dando maior vazão ao ir e vir diário de moradores de cidades vizinhas dos grandes centros.
O cenário também encontra desafios. A urbanização de novos espaços e áreas nem sempre acompanha o ritmo do subir paredes e o preço dos insumos, impactados pela grande procura, chega a ser um ponto de interrogação na hora de fechar o projeto. Contudo, a indústria dos bens imóveis cresce e agradece.
Além da construção, a oferta de bens que se deu durante a pandemia por conta das variações econômicas oferece ao mercado um cem número de possibilidades, seja de imóveis prontos, novos ou semi novos e áreas para construção. A padronização de espaços, antes sinônimo de praticidade, dá espaço cada vez mais rápido a individualização de obras ainda que em conjuntos coletivos, um novo desafio a ser observado.
Praticidade, casas prontas para morar, mobiliadas e inteligentes. Imóveis para todas as classes e que ofereçam mais do que teto, ofereçam conforto e conexão. Os desafios são muitos mas, ao olhar o horizonte, muitas paredes se mostram prontas para serem erguidas.
Filipe Marchesoni, empresário
